29/10/13 Fiz esse projeto para TCCRAZY,digo TCC e advinha: foi reprovado.Quem quiser usar citações estejam a vontade.Talvez agrade alguém e ajude.Beijos.
USANDO OS CONTOS DE FADAS NA LEITURA INFANTIL
RESUMO
Este Trabalho de Conclusão de Curso tem como tema o uso dos
contos de fadas no processo de aquisição da leitura. Muitos alunos não gostam
de ler e o uso das historias infantis acaba se tornando um instrumento de muita
ajuda para esse problema.
Analisaremos como as histórias infantis podem favorecer o
desenvolvimento da leitura através das historinhas infantis e mostraremos como
se pode ajudar a criança a expandir sua imaginação fazendo também que haja uma
melhora na sua prática de estudo no que concerne a leitura e na resolução de
seus problemas internos.
Essa pesquisa bibliográfica foi elaborada á partir das obras
de: Mulheres que Correm com Lobos, A Psicanálise dos Contos de Fadas, Oficinas
Psicopedagógicas, Dificuldades de Aprendizagem, A função Transcendente, Um
Tesouro de Contos de Fadas, A Sombra e o Mal nos contos de fadas, Os Contos de
Fadas No Processo de Aprendizagem, O Desaparecimento da Infância, A Magia de
Contar Histórias, Contos de Fada: Desenvolvimento Criativo infantil e o Estímulo
á Leitura, A Natureza da Psique.
Palavras chave: Contos de fadas, educação e aprendizagem
infantil.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho objetiva um estudo sobre o uso dos
contos de fadas num enfoque psicopedagógico, estimulando o pensamento das
crianças e também através deles despertar o prazer da leitura. Através desse
enfoque, demonstraremos que é possível auxiliar crianças com problemas de
aprendizagem a superar seus problemas.
Fundamentados em pesquisas bibliográficas, o artigo
apresentará formas de usar os contos de fadas para resolver as dificuldades na
aprendizagem através das histórias e problemas internos que a criança possa
ter, além de mostrar pelas narrativas, exemplos de bullying, autoestima e bons
modelos de atitudes.
A ORIGEM DOS CONTOS DE FADAS
Os contos de fadas são narrativas muito antigas e não eram
exatamente histórias para crianças. Foram muito usados por gregos, judeus,
hindus e persas, considerados mitos e consistia da batalha entre a natureza e o
homem.
Os contos de fadas são narrativas simbólicas extremamente
simples, primitivas, capazes de transmitir experiências subjetivas complexas e
vivências emocionais delicadas às pessoas mais ingênuas e às crianças. As
lendas e as histórias de fadas são incluídas hoje no acervo básico da
literatura infantil porque as crianças se apossaram delas, enquanto o público
mais sofisticado as considerava uma literatura de menor significado. Mas não há
quem desconheça o quanto os grandes artistas, inclusive escritores de todos os
tempos, buscaram e buscam inspiração constantemente nas manifestações mais
primitivas da sua cultura, no folclore. (disponível em
http://www.euniverso.com.br 2005).
São contados e recontados há muito tempo, mas, não eram
narrados como conhecemos hoje e também se observou que antigamente, por volta
do século XVII eram destinados á todas as pessoas em geral das classes mais
baixas. Alguns contos de fadas foram passados de geração em geração oralmente
como se fossem uma tradição familiar e sofreram mudanças com o passar do tempo.
Segundo estudos, alguns desses contos são sobreviventes
corrompidos de mitos e dogmas religiosos, outros dizem que resulta de um lado
depravado da literatura.
“Os contos de fada frequentemente falam de Deus perambulando
pela terra e alguns até começam com estas palavras: “Nos tempos antigos, quando
Deus ainda andava pela terra”. (von Franz, A sombra e o Mal nos Contos de Fadas
pg.66)
De acordo com Bettelheim, (A Psicanálise dos Contos de Fadas
2000, pg.14) “os contos de fadas são repletos de religiosidade, indicando que
era uma parte muito importante da vida das pessoas da época. As estórias das
Mil e Uma Noites estão cheias de referências à religião islâmica. Uma grande
quantidade de contos de fadas ocidentais têm conteúdos religiosos; mas a maioria
dessas estórias são negligenciadas hoje em dia e desconhecidas par a o público
maior exatamente porque, para muitos, estes temas religiosos não despertam mais
associações universalmente e pessoalmente significativas”.
Descobriu-se que muitos dos contos de fadas que são contados
até hoje como Branca de Neve, Alice no País das Maravilhas, Chapeuzinho
Vermelho, entre tantos eram repletos de historias de sexo, fome, canibalismo,
necrofilia, medo, pedofilia, vingança e morte.
Os aldeões passavam a noite contando e ouvindo histórias
sangrentas, e a inspiração vinha da fome e da mortalidade infantil, até que os
contos foram modificados por Charles Perrault, Lewis Carrol e os Irmãos Grimm.
Marie Louise van Franz, (A Sombra e o Mal nos Contos de
Fadas 2000 pg.143), afirma que os contos de fadas refletem um material coletivo
inconsciente o que leva a deduzir, que existe uma questão adicional por
tratar-se de um material do inconsciente coletivo e por isso mesmo haverá a
existência de problemas éticos nos contos de fadas e se realmente existir,
significa que o inconsciente tem traços ou tendências éticas moralistas, apesar
de não se conseguir comprovar com facilidade.
Ao mencionar-se van Franz, é possível perceber a que ela se
refere, pois não havia o cuidado de contar essas historias longe das crianças e
também não havia a preocupação que eles se assustassem.
De acordo com Ângela Link Saccol e Patrícia do Amaral Comarú
(Os Contos de Fadas No Processo de Aprendizagem) citando Bettelheim (1980)
“comenta que, com o passar dos séculos quando eram recontados os contos de
fadas, esses se tornaram mais refinados e começaram a transmitir significados
manifestos encobertos: ilustram que a luta contra dificuldades na vida é
inevitável, mas, nem por isso, devemos nos amedrontar com as injustiças que
surgem. Já, as histórias modernas evitam esses problemas existenciais, pois não
mencionam questões como a morte, envelhecimento, vida eterna, etc.
Conforme diz Bettelheim em A Psicanálise dos Contos de Fadas
p.15, os contos de fadas, em contraste, confronta a criança honestamente com os
predicamentos humanos básicos.
O termo contos de fadas foi criado pelos franceses, como
“Conte de Fee” e depois se tornou “Fairy Tale” em inglês ; no Brasil surgiu no
século XIX .
As fadas são elementos do folclore europeu ocidental,
surgidos na criação
poética céltico-bretã. Etimologicamente, a palavra fada vem
do latim fatum, que
significa destino, inúmeras línguas apresentam este vocábulo
no seu léxico, como
exemplos, temos: fée(francês.), fairy(inglês),
fata(italiano), feen (alemão), hada
(espanhol).( Gregorin Filho A atualidade dos Contos de
Fadas, pág.5).
Segundo Felipe Marques Silva, ”o conto de fadas, enquanto
narrativa destinada ao publico infantil, surge na Europa durante a Idade Media
Moderna e têm por fonte a tradição oral, provavelmente as narrativas
primordiais que ficaram registradas na memória dos povos e foram transmitidas
através dos tempos. Muitos contos revelam a afinidade com os ritos iniciáticos
dos povos primitivos, em que o iniciado, para alcançar outra etapa da vida,
submete-se a inúmeras provas cuja superação comprovam o seu amadurecimento. Por
outro lado, a origem popular dos contos fica visível pelo fato de que os heróis
das narrativas estão em situação de inferioridade no meio em que vivem e
somente com o auxilio de elementos mágicos conseguem superar essa condição”
Tempos depois os contos de fadas se tornaram histórias,
geralmente de caráter romântico, com o conhecido inicio “era uma vez” e o final
sempre feliz, contada para transmitir algum tipo de mensagem. Posteriormente
foram introduzidas as fadas, que era o equivalente de uma mulher perfeita,
linda e com poderes sobrenaturais.
Também notou-se a necessidade de adaptar essas histórias
para a educação dos pequenos, já que eles gostavam muito de ouvir essas
narrativas e o conteúdo fantasioso inseridos neles ajudavam na formação da
personalidade dos mesmos.
O APRENDIZADO NA INFÂNCIA ATRAVÉS DOS CONTOS DE FADAS
Sabe-se que os primeiros anos de vida da criança são
construídos e desenvolvidos através do contato com outras pessoas e da
interação com seu meio. É por meio desse relacionamento que a criança começa a
aprender sobre o mundo em que vive.
Em muitas situações os contos de fadas são os primeiros
contatos das crianças com a leitura, seja pelos pais ou mesmo na sala de aula
com os professores. Também são os mais conhecidos pelo público infantil, pois é
comum que mães ou cuidadores contem histórias para as crianças dormirem toda noite
ou mesmo para distraí-las durante o dia.
É necessário atentar para a escolha do livro e as histórias
á serem contadas, pois deve-se selecionar os que atendam as necessidades das
crianças e apresente histórias que despertem sensações e emoções,sem contudo
deixá-las negativamente impressionadas. Fazendo-se assim, criam-se
possibilidades delas perceberem se as experiências relatadas fazem parte da
realidade delas e se sim criar a chance de poder usá-las para ajudas futuras.
Para se compreender as necessidades de uma criança é
necessário que se entenda o significado de infância. Segundo Neil Postman, até
a idade média não existia a preocupação com as crianças, pois eram consideradas
como homens em miniaturas e expostas á todo tipo de comportamentos adultos
como, palavrões, assédios sexuais, enforcamentos e trabalhos forçados.
No mundo medieval, não havia qualquer concepção de
desenvolvimento infantil e de pré-requisitos de aprendizagem seqüencial. Era
inexistente também a concepção de escolarização como uma preparação para o
mundo adulto, assim como o conceito de “vergonha”, moral, tal como entendido no
mundo moderno. A falta de alfabetização, do conceito de educação e do conceito
de vergonha foi a razão pela qual o conceito de infância não existiu no mundo
medieval. (Postman, O desaparecimento da infância p. 311-2009)
A infância que estamos acostumados á ver surgiu por volta do
século XVI, desenvolvendo-se nos últimos 350 anos até os dias de hoje.
Foram os romanos que começaram a mudar o comportamento á respeito
das crianças e assim, iniciaram os conceitos de proteção, respeito,
escolarização e cuidados.
Nessa época, praticamente todas as interações sociais
importantes se realizavam oralmente. O surgimento da prensa tipográfica no
século XVI foi o que possibilitou a difusão de escritos e, em consequência, uma
maior acessibilidade à leitura escrita e a outras formas de comunicação, de
modo a permitir o desenvolvimento de um novo ambiente comunicacional,
resultante da imprensa e da alfabetização socializada. Havia uma nítida
separação entre os que podiam e os que não podiam ler. Desse modo, a leitura
passou a ser estabelecida como uma condição da pessoa adulta, e as crianças,
para entrarem no mundo letrado, precisavam antes se transformar em adultos pela
alfabetização, que exigia uma educação. (Postman, O desaparecimento da infância
p. 312-2009).
Segundo Postman, (O Desaparecimento da Infância, pg. 315
2009) Na Idade Média, não havia infância porque não havia para os adultos os
meios de contar com informação exclusiva, surgindo esse meio com o
desenvolvimento da infância e se dissolvendo com o desenvolvimento da
comunicação elétrica. A “vergonha” não pode exercer influência como meio de
controle social em uma sociedade que não tem condições de guardar segredos. A
televisão dirige tudo a todos ao mesmo tempo, não guarda “segredos”, sendo
impossível proteger as crianças da revelação mais completa e mais rude da
violência e do consumismo exacerbado, por exemplo. As crianças entram em
contato com o mundo adulto e sabem tudo desse mundo. Na era da televisão, passa
a existir o recém-nascido, o idoso e o adulto-criança, caracterizado este
último como adulto cujas potencialidades intelectuais e emocionais não se
realizaram e, sobretudo, não são significativamente diferentes daquelas
associadas às crianças.
Mudanças foram acontecendo no decorrer dos séculos XVI,
XVII, XVIII e XIX, de modo a tornar visível a diferença entre crianças e
adultos. O vestuário e a linguagem de crianças e adultos começaram a se
diferenciar, livros referentes à pediatria infantil foram publicados, a
literatura infantil se desenvolveu, lançaram-se livros escolares seriados e
organizaram-se classes escolares de acordo com a idade cronológica das
crianças, formando, assim, a ideia da existência de seus estágios e da
estrutura do desenvolvimento infantil, entre outras. (Postman, O
Desaparecimento da Infância, pg.113 2009)
Sabe-se que contar historia é comum entre os adultos e
também um ato cultural e familiar, pois é comum ouvir histórias de família,
além de ajudar na conquista da aquisição da leitura e escrita, pois estimula a
curiosidade da criança, fazendo com que a ela expanda seus conhecimentos e
conceitos de vida.
A criança tem seu primeiro contato com uma história através
dos pais, avós ou da pessoa que cuida dela e à medida que vai crescendo, ela
mesma escolherá a história que mais lhe agrade.
Entende-se que os bebês tem grande prazer em ouvir histórias
e é possível fazer que eles tenham contato desde cedo com as obras infantis, os
chamados livros de pano e de banho, que estimulam a audição, o tato e a visão.
Quando o bebê senta-se no colo de quem lê para ele, não só desenvolve interesse
pelo livro, mas também pelo que está sendo feito para ele e essa interação cria
laços afetivos importantes.
Verifica-se que quando ocorre uma demonstração prazerosa da
leitura por um adulto para a criança, a mesma passa a se interessar e se
emocionar com as narrativas lidas, criando detalhes, personagens e fatos
diferentes, enfim criando seu próprio mundo da imaginação.
Pode-se mencionar que a leitura ainda é um assunto de muita
discussão entre os educadores que investigam técnicas para incutir a vontade de
ler nos alunos de todas as séries. Mas, para que a leitura seja agradável para
as crianças necessita-se que sejam criadas estratégias e projetos fazendo com
que eles interajam com as brincadeiras e as historias dos livros.
Na escola ao se usar os contos de fadas é preciso adotar uma
conduta que estimule o interesse da formação do leitor. Porém muitas vezes
ocorre um despreparo do professor em sala de aula. Segundo alguns professores,
contar histórias é muito benéfico para deixar as crianças mais calmas e
sossegadas,confirmando-se assim que, o estimulo da leitura é de extrema
importância e ao trabalhar com essas historias infantis na escola pelo menos
nos primeiros anos deveria fazer do planejamento das aulas.
Segundo Monica Weingärtner Otte e Anamaria Kovács (A Magia
de Contar Histórias, 2003- pg.03) “tudo o que acontece ao nosso redor, desde a
nossa primeira infância, fica registrado em nosso inconsciente. Isto significa
que tudo aquilo que vemos, ouvimos e sentimos influi no nosso desenvolvimento e
amadurecimento. Aplicando esta verdade fundamental – que a psicologia ensina –
ao nosso assunto, arriscamos afirmar que felizes são aquelas crianças que,
desde os primeiros dias de sua existência, experimentam a presença de livros ao
seu redor.”
Ler e escrever são práticas sociais e algumas crianças
possuem dificuldades de aprendizagem e isso faz com que ocorra a frustração por
parte delas por se sentirem desestimuladas e em muitos casos só fazem a leitura
por obrigação abandonando- a tão logo possa.
Um livro com histórias agradáveis é uma grande sugestão para
as crianças e se torna um algo á mais na aquisição de leitura, além de ajudar
na escrita e melhoria do vocabulário.
Percebe-se que o estímulo da leitura deve ser feito de forma
sistemática e assistemática e na escola, constatam-se variedades de ações que
agilizam as práticas de leitura como as salas de leitura, os teatros de
marionetes e dedoches, as encenações, usando os contos de fadas como tema.
Porém, comprova-se que se por um lado, na escola isso
funciona, em casa muitas vezes ocorre o contrário. Adultos precisam dar o bom
exemplo para as crianças, demonstrando o prazer em ter um livro em mãos, mas
muitos deles não gostam da ideia e demonstram isso, criando um conceito de algo
desagradável.
Constata-se que ao perguntar para alguns leitores adultos
sobre a prática da leitura, eles respondem que não faz parte da rotina deles e
que nunca foram estimulados a ler um livro espontaneamente, sendo que a maioria
o fez por obrigação quando estudavam.
Entretanto, se esquecem que entre as várias atividades
diárias se encontra a necessidade da leitura, como ler produtos em
supermercados, receitas culinárias, quando vai ao banco ,placas de rua,
internet ,entre outras tantas coisas.
Segundo Daniela Leal e Makeline Nogueira, citando Visca
(Dificuldades de aprendizagem, pg.56) são quatro os níveis de aprendizagem
chamados por ele de Esquema Evolutivo da Aprendizagem, que são:
Protoaprendizagem, Deuteroaprendizagem, Aprendizagem Assistemática e
Aprendizagem Sistemática.
Se ocorrer a criação de um vínculo negativo em qualquer uma
dessas etapas, haverá o favorecimento de obstáculos total ou parcial na
aprendizagem e no caso do gosto pela leitura não é diferente.
A prática de leitura não acontece instantaneamente, mas
através de muito estímulo e incentivo. Sabe-se que nem toda a criança gosta de
ler, contudo os educadores precisam estar atentos em fazer que a leitura se
torne algo que dê muito prazer na vida dos educandos, demonstrando a
importância que a prática da leitura possui em nossas vidas.
Compreende-se que durante a infância a necessidade das
atividades lúdicas na escola e no ambiente familiar são essenciais para que
criança se desenvolva e ao se introduzir a leitura nessa fase, as crianças
exercitam a imaginação e por consequência desenvolve o prazer de ler.
Enquanto diverte a criança, o conto de fadas a esclarece
sobre si mesma, e favorece o desenvolvimento de sua personalidade. Oferece
significado em tantos níveis diferentes, e enriquece a existência da criança de
tantos modos que nenhum livro pode fazer justiça à multidão e diversidade de
contribuições que esses contos dão à vida da criança. (BETTELHEIM, 2004, p-20).
De acordo com Bruno Bettelheim em seu livro A Psicanálise
dos Contos de Fadas, (Bettelheim, A Psicanálise dos Contos de Fadas, pág. 05),
para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e
despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular - lhe a
imaginação: ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas
emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações; reconhecer
plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os
problemas que a perturbam. Resumindo, deve de uma só vez relacionar-se com
todos os aspectos de sua personalidade - e isso sem nunca menosprezar a
criança, buscando dar inteiro crédito a seus predicamentos e, simultaneamente,
promovendo a confiança nela mesma e no seu futuro.
Para alguns professores ensinar o hábito da leitura para
crianças pequenas tem sido um tema polêmico e consideram que a educação
recebida em casa acaba atrapalhando o que eles ensinam em sala de aula. Porém,
hoje em dia tanto pais quanto educadores são responsáveis pela educação da
criança.
Algumas crianças não gostam de ler e por isso é necessário
que se investigue a razão da relutância em adquirir o hábito da leitura.
Nota-se aí a necessidade de observar se existe algum tipo de dificuldade de
aprendizagem, se a criança é desatenta ou se possui problemas de linguagem ou
algum distúrbio de aprendizagem que a atrapalhe na elaboração da leitura.
Alguns fatores como a pobreza, exclusão social e fome
interferem no processo de ensino-aprendizagem, levando ao fracasso e por isso
indica-se que tanto a escola quanto a família ajudem a encontrar soluções para
as impossibilidades de aprendizagem das crianças, por exemplo, conhecer bem os
alunos, reconhecer os esforços dos educandos, estimular o dialogo e pesquisar
alternativas no trabalho pedagógico.
Uma dificuldade (ou distúrbio) de aprendizagem refere-se a
um atraso, desordem ou retardo do desenvolvimento em um ou mais processos da
fala, leitura, escrita, aritmética ou outro resultado causado por uma
desvantagem psicológica devido a uma possível disfunção cerebral e/ou
distúrbios emocional ou comportamental. Ela não é o resultado de retardo
mental, privação sensorial ou de fatores culturais e educacionais. (Leal e
Nogueira, Dificuldades de Aprendizagem, pag.53).
Percebe-se que o estimulo da leitura desde cedo, ajuda no
desenvolvimento da aprendizagem da criança e faz com que a leitura e a escrita
se desenvolvam de forma mais rápida e melhor.
Nota-se que, os contos de fadas possui a tendência de
cativar através das suas historias o interesse da criança, por possuírem a
capacidade de entreter e comover ao mesmo tempo e isso ocorre tanto porque
quase sempre falam das experiências do dia a dia, quanto por existir uma
identificação com os personagens, pois, através das narrativas acabam
demonstrando a vida dos seres humanos e seus problemas.
OS CONTOS DE FADAS COMO ESTIMULO PARA COMPREENDER OS
PROBLEMAS INTERNOS DA CRIANÇA
Os contos de fadas possuem recursos que despertam nas
crianças o prazer e o interesse de ouvir e através disso fica possível à
melhoria da formação psicológica delas porque enquanto se divertem com as
narrativas, desenvolvem sua personalidade. Isso tudo contribui para um melhor
desenvolvimento mental já que com as historinhas elas se identificam e
estimulam a imaginação, a criatividade, o lúdico como também a leitura e
escrita.
Há alguns aspectos bem interessantes a considerar quando
pretendemos nos deter na reflexão e no estudo dos contos de fadas. Em primeiro
lugar, o fato de que eles falam sempre de relacionamentos humanos primitivos e
por isso exprimem sentimentos muito arcaicos do psiquismo humano. Mas porque
arcaicos não deixam de ser atuais, talvez até extremamente atraentes e
instigadores porque mostram o que se evita manifestar nas nossas sociedades
contemporâneas: a raiva, a inveja, a mentira, também o amor, a fidelidade, a
generosidade, com suas enormes consequências no viver humano. Nesse sentido,
esses contos, como as lendas e os mitos, estão embebidos de princípios éticos
universais. Outro aspecto extremamente importante a considerar é que os contos
de fadas, sob múltiplas variações, apresentam sempre uma mesma estrutura e
temática: falam da busca da totalidade psíquica, da plenitude do ser.
(disponível em http://www.euniverso.com.br 2005)
Segundo Fabricia Martins, (disponível em Contos de Fada:
Desenvolvimento Criativo infantil e o Estímulo á Leitura) “o universo com o
qual o leitor infantil tem contato através dos contos de fada, por exemplo,
pode ser de grande importância no desenvolvimento do processo criativo desse
indivíduo. Lembrando que o instigar da curiosidade e o exemplo são importantes
ferramentas nesse processo”.
Conforme visto no item anterior, os contos de fadas possuem
riquezas de mundos e personagens que lidam com todo tipo de adversidades e
através desses exemplos é possível fazer com que a criança desenvolva interesse
pela leitura e por meio delas, enfrente seus problemas e receios e essas
historias funcionam como uma forma de enfrentar as angustias que ela possa
ter,além de que mostram que existe solução para tudo e sempre há o final feliz.
A fantasia auxilia muito o desenvolvimento da personalidade
infantil e se for possível que haja contato com contos que ajudem a
estimula-los desde cedo melhor.
O conceito que formamos a respeito do mundo é a imagem
daquilo que chamamos mundo. E é por esta imagem que orientamos a adaptação de
nós mesmos à realidade. Como já disse, isto não acontece de modo consciente. O
soldado comum não tem conhecimento das atividades do estado-maior, enquanto que
nós somos, ao mesmo tempo, o estado-maior e o comandante do exército.(Jung,A
Natureza da Psique 2000 pg.141)
As crianças tem muito receio que seus pais se separem e
algumas possuem rivalidades com os pais ou irmãos/parentes mais velhos e esses
conflitos aparecem em alguns contos de fadas.
Segundo Bettelheim (A Psicanálise dos Contos de Fadas,
pg.28) a agressividade e o descontentamento com irmãos, mães e pais são
vivenciados na fantasia dos contos: o medo da rejeição é trabalhado em João e
Maria, a rivalidade entre irmãos em Cinderela e a separação entre as crianças e
os pais em Rapunzel e O Patinho Feio.
Quando as crianças tem contato com os contos de fadas, os
dramas envolvidos no começo da narrativa promovem um desequilíbrio causando um
desconforto que é recuperado assim que as soluções aparecem através das magias
e das espertezas e coragem dos personagens, favorecendo a imaginação dos
pequenos já que eles empregam o que ouviram ou leram nos seus próprios
problemas e á partir dai consegue entende-los.
Sabe-se que os contos de fadas com suas formas verbais e
literárias possibilitam que crianças criem estratégias para se situar e
compreenderem o mundo que vivem. Verifica-se que os exemplos citados podem ser
usados para ensinar as crianças a pôr em prática o que ela lê nos livros, pois
os relatos contidos nas historias, orientam as crianças a confrontar seus
sentimentos, seja de privação, temor, angustia ou amor.
Há também a existência da maldade, mas sempre existe uma
pessoa boa vencendo no final.
De acordo com Saccol e Comarú, (Os Contos de Fadas No
Processo de Aprendizagem 2003 pg.134) o conto de fadas propicia que a criança
adeque o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, ou seja, oferecem
novas dimensões à imaginação que ela não consegue descobrir por si só. No
entanto, fingir que o lado escuro dos homens não existe é impossível. A própria
psicanálise surgiu, para que o homem aceite sua natureza problemática da vida
sem ser derrotado por ela. É necessário, além de importante, que a criança compreenda
a ambiguidade do ser humano e, assim, entenda as diferenças existentes entre as
pessoas.
Ao contar a história de Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, é
possível ensinar que, não se deve conversar com pessoas estranhas por causa do
perigo do contato com desconhecidos.
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estas broinhas para a vovó,
ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com
certeza, não tem vontade de cozinhar.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá
direitinho, sem desviar do caminho certo. Há muitos perigos na floresta! (Um
Tesouro de Contos de Fadas, 1994, pg. 09)
Os contos proporcionam ás crianças à possibilidade de usar o
imaginário e a despertar a curiosidade e assim descobrir um mundo enorme de
dificuldades, conflitos, de conclusões e soluções que todas as pessoas experimentam
e atravessam inclusive ela mesma.
Segundo Rui Neto e Janete Bervique, (disponível em REVISTA
CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE PSICOLOGIA pg. 03) “Ouvir essas histórias assegura à
criança que ela, também, será capaz de superar as dificuldades, os sentimentos
profundos e contraditórios, despertados por seu delicado e complexo conflito
emocional, e virá a encontrar a felicidade. Por isso, cabe a ela mesma
vivenciar o conto e tirar dele a mensagem que lhe é útil, e não ao adulto”.
As histórias de magia, amizade, seres fantásticos, dragões,
príncipes e princesas, animais que se comportam como seres humanos, fazem com
que as crianças relacionem- as com algum fato que esteja acontecendo com ela
naquele momento e possa estar incomodando.
Ainda de acordo com Fabricia Martins, (disponível em Contos
de Fadas: Desenvolvimento Criativo infantil e o Estímulo á Leitura) “em contato
com os contos de fada elas podem conseguir encontrar um meio para lidar com
seus conflitos através do entendimento e dos devaneios que se dão nas
histórias. Além disso, percebe-se que ao entrar em contato com o universo da
leitura as crianças passam por um processo de desdobramento de habilidades e
capacidades e tem mais facilmente um entendimento de mundo”.
Citando-se, por exemplo, os Três porquinhos de Joseph Jacobs
a mensagem é para que as crianças façam tudo da melhor forma possível.
"Os três porquinhos" ensinam à criança pequenina,
da forma mais deliciosa e dramática, que não devemos ser preguiçosos e levar as
coisas na flauta, porque se o fizermos poderemos perecer. “(Bettelheim, 2002,
pg.43)”.
Com o conto O Patinho feio, de Hans Cristian Andersen,
podemos ensinar o valor do respeito pelo que é diferente e também podemos
evitar o bullying.
Hans Christian Andersen escreveu dezenas de histórias sobre
o arquétipo do órfão. Ele foi um importante defensor da criança perdida e
negligenciada, e dava imenso apoio à ideia da procura e descoberta do nosso
próprio grupo. (Estes 1999, pag.125)
Segundo Clarissa Estes (Mulheres que correm com lobos,
pg.125) trata- se de uma história básica em termos psicológicos e espirituais.
Uma história básica é aquela que contém uma verdade tão fundamental para o
desenvolvimento humano que, sem a incorporação desse fato, o avanço se torna
duvidoso e ninguém consegue prosperar sob o aspecto psicológico enquanto não
perceber essa verdade.
Com essa historia do Patinho Feio pode-se também melhorar a
autoestima de crianças inseguras e com problemas com a aparência.
“O patinho feio sofreu muito até que um belo dia cresceu e
descobriu a verdade sobre si própria: ele não era um pato feio e diferente dos
outros, era na verdade um lindo cisne. Desde então, todos passaram a admirá-lo
e a se curvar diante de sua beleza.” (Um Tesouro de Contos de Fadas, 1994 pg.).
Nota-se que com a Bela e a Fera podemos exemplificar uma
forma de amor, carinho e respeito pelas pessoas. Essa história é repleta de
amor e gentileza, pois mesmo as ameaças da Fera, são vazias e sem rancor.
“Apesar do título, não há nada de feroz no conto de fadas de
"A Bela e a Fera". A Fera ameaça o pai de Bela, mas sabemos desde o
início que essa é uma ameaça vazia, destinada a conseguir a companhia de Bela,
seu amor, e com isso a libertação da aparência animal.”(Bettelheim,2002,pg.318)
Com Cinderela ou Gata Borralheira, o mau exemplo é de ciúme,
rivalidade e inveja por parte das irmãs.
De acordo com Amadeu Wolff da Silva, as irmãs da Gata
Borralheira são exemplos de péssimas pessoas. “Elas riem da pretensão da irmã
ir ao baile e também fingem concordar em levá-la, se ela conseguir um vestido
adequado, apenas porque acreditam que ela não tem recursos para conseguir um. E
quando ela improvisa um traje, com as sobras dos vestidos das irmãs, elas o
destroem, não para aproveitar algo daquilo, mas para que a outra não possa
desfrutar do mesmo que elas.”
A história da Gata Borralheira demonstra á criança que por
mais infeliz que ela se sinta por qualquer tipo de problema entre irmãos ou
colegas de escola ou mesmo os pais, é passageiro e logo tudo estará bem, pois
os contos de fadas possuem a característica de auxiliar as crianças na
identificação de seus conflitos internos.
Por serem histórias com personagens geralmente maltratados e
com problemas pessoais, acabam expondo para a criança os próprios conflitos
íntimos que ela possua.
Observa-se que essas narrativas trabalham batalhas
existenciais árduas, como a morte, a separação e até violência física.
“As estórias ‘fora de perigo’ não mencionam nem a morte nem
o envelhecimento, os limites de nossa existência, nem o desejo pela vida
eterna. O conto de fadas, em contraste, confronta a criança honestamente com os
predicamentos humanos básicos.” (BETTELHEIM, 2000 pág. 07).
Ainda segundo Bettelheim, (A Psicanálise dos Contos de
Fadas, pag. 07). É característico dos contos de fadas colocar um dilema
existencial de forma breve e categórica. Isto permite a criança aprender o
problema em sua forma mais essencial, onde uma trama mais complexa confundiria
o assunto para ela. O conto de fadas simplifica todas as situações, pois suas
figuras são esboçadas claramente e detalhes, a menos que muito importantes sãos
eliminados. Todos os personagens são mais típicos do que únicos.
CONCLUSÃO
A escola é o local que consideramos como o lugar do saber,
do conhecimento, mas se tratando da leitura precisa ter um olhar diferenciado
em suas práticas, evitando a imposição obrigatória da leitura mostrando como
ler é prazeroso.
O interesse pela leitura deve começar desde o berço, e
fazendo disso um hábito será levado pelo resto da vida,sendo que é de suma
importância para as crianças buscarem conhecimentos através da leitura desde
cedo. As crianças devem e precisam ouvir estórias para estimular a imaginação,
aguçar os sentidos e trabalhar seus sentimentos. Isso concerne aos adultos que
cuidam e educam as crianças. Porém, é necessário que os adultos que
apresentarem os livros e as historias para as crianças, o faça com metodologia
e prazer, com consciência da leitura adequada á cada idade.
Os professores devem entender e passar aos alunos que além
de instruir e ensinar, a leitura dá prazer. A literatura infantil é um campo
vasto de estudos para que os futuros leitores entendam o que estão lendo
,aprendam á perceber e identificar se existe algum problema com ela e ao
relacionar esses problemas, compreender que é possível resolvê-los.
A escola como local de aprendizagem sistemática, pode vir a
ser um ambiente benéfico fazendo que ato de ler seja uma atividade que desperte
prazer. Os contos de fadas por serem a primeira proximidade das crianças com a
leitura devem ser trabalhados com amor,prazer e afinco, tendo em mente a
importância deles no desenvolvimento psicológico, social,escolar e cognitivo da
criança.
REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:
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Um Tesouro de Contos de Fadas (vários autores)- Ed. Quebec
1994.
M L von Franz ,A Sombra e o Mal nos contos de fadas
